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Espaço Saúde
TPM

A Tensão pré-mestrual, síndrome pré-menstrual, transtorno disfórico pré-menstrual, ou, como é mais conhecida, TPM, constitui um conjunto de manifestações somáticas, afetivas, comportamentais e cognitivas que aparecem na fase pós-ovulatória do ciclo menstrual Trata-se da recidiva cíclica de sintomas incapacitantes que começam após a ovulação e que geralmente apresentam resolução quando do início da menstruação.

Embora 70 a 90% das mulheres em idade reprodutiva apresentem algum desconforto na fase pré-menstrual, somente 10 a 20% manifestam sintomatologia intensa a ponto de comprometer sua vida familiar e desempenho profissional.

A dor mamária, o aumento do volume abdominal, tão comuns no período que antecede a menstruação, e por isso considerados normais, dão lugar a transtornos graves e incapacitantes, levando a um quadro de deficiência na performance, que pode atingir os ambientes escolar e profissional, as relações afetivas e até mesmo isolamento social e idéias de suicídio.

A manifestações clínicas podem estar relacionadas à retenção hídrica, a sintomas relacionados ao sistema nervoso ou neuropsíquicos, predomínio de manifestações dolorosas e modificações endócrinas. Mais de 150 sintomas foram atribuídos a esta síndrome, que podem ser subdivididos em dois grandes grupos:

a) Transtornos físicos, como o meteorismo, dor e crescimento mamário, dor abdominal, cefaléia, aumento de peso, dor nos membros inferiores, perturbações da pele, fadiga, modificações do hábito intestinal;

b) Transtornos psicológicos, como irritabilidade, agressividade, depressão, ansiedade, incapacidade de concentração, tensão, desânimo, insônia, alteração no apetite, aumento de peso, alteração da libido, humor variável, crises de choro, baixa estima e predileção por comidas doces e salgadas.

A etiopatogenia da síndrome é multifatorial: alteração nos níveis de estrogênios ou progesterona, deficiência de vitamina B6, alteração nos níveis de ácidos graxos essenciais, hipoglicemia, alergia hormonal endógena, fatores emocionais, retenção hídrica, aumento da prolactina e de outros hormônios hipotalâmicos e hipofisários.

O diagnóstico diferencial se faz com distúrbios psiquiátricos, iatrogenia, distúrbios neurológicos e endócrinos, doenças das mamas e ginecológicas, distúrbios gastrointestinais e fadiga crônica.

O tratamento da paciente com TPM envolve esclarecimentos sobre o problema, afastamento de fatores agravantes, controle do estresse, dieta com redução da ingesta de sal, açúcar refinado, gordura animal e cafeína, exercícios aeróbicos e técnicas de relaxamento. O tratamento medicamentoso consiste de vitaminas, suplementação de cálcio, diuréticos, tranqüilizantes, antinflamatórios, hormônios específicos para a síndrome ou até mesmo a suspensão do ciclo menstrual.

Cláudio Marcellini



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